• Raquel

Saúde mental, uma causa diária

Setembro foi o mês da Saúde Mental.


Embora este seja um tema que me diga muito, não me pronunciei sobre ele. E não me pronunciei porque julgo que esta seja uma luta de todos os dias e porque também eu aprendi muito com tudo o que li nestes dias. Concordei com muitas campanhas que existiram durante este mês, acompanhando-as de perto e com orgulho por termos um país cada vez mais consciente de que saúde só há uma e incluiu todo o nosso corpo (a mente também).


Acredito, cada vez mais, que este tema acompanhará todo o meu caminho. Mas não deveria ser só o meu. Saber ouvir a nossa mente deveria ser uma lição do nosso ensino. Tal como aprendemos a contar, a somar, dividir, o que são sinónimos e antónimos.

O ensino está tão focado nas capacidades técnicas e no que achamos que é a “inteligência” que se esquece da inteligência emocional e da capacidade de pensar no próprio e no outro.

Devíamos ser ensinados que na matemática da vida, é preciso contar até três antes de julgar alguém, somar e agradecer o que de bom há na vida, subtrair o pior e dividir o que temos com o próximo. Não é preciso muito. Basta amor.

Gostava que se aprendesse que o sinónimo de ser rico não é ter dinheiro e o antónimo de ser feliz não é ser triste.

Gostava que se percebesse que a vida não é linear.

Talvez desta forma, deixássemos de tratar a doença mental como algo que “só quem quer é que tem".

Um dia destes, numa suposta palestra de motivação, ouvi dizer que foram vendidos cerca de 5 milhões de antidepressivos e ansiolíticos nesta quarentena e que, por esse motivo, as pessoas viviam tristes.

Ora bem, como é que eu explico isto? Como é que explico que não é assim que se motivam pessoas. Não se motiva alguém com a “desmotivação” do outro. As pessoas que recorrem a este tipo de medicação não são tristes, são fortes.

Até quando vamos continuar a associar as doenças mentais ao lado cinzento da vida?


Motivação é fazer entender que alguém com uma depressão a consegue ultrapassar e que a felicidade não existe nos mesmos moldes para toda a gente. Somos quase “forçados” a ser felizes quando estar triste também é necessário. Gostava que as doenças mentais não fossem encaradas em palestras de motivação como algo que vai embora com a afirmação “Eu posso, eu quero e consigo” e que todos nós pudéssemos, quiséssemos e conseguíssemos compreender o outro sem julgamento. Que nos conseguíssemos todos motivar sem que víssemos um sinal de fraqueza no outro para nos tornarmos mais fortes.


Porque, perdoem-me, mas, caraças, todos somos fortes e todos temos o dever de cuidar da saúde mental: a nossa e não se esqueçam, a dos outros também.

Raquel.

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A(trevo)-me

O A(trevo)-me foi idealizado com o intuito de inspirar o outro. É sobretudo um desabafo em forma de palavras, que não se deixaram ficar só num caderno no canto da secretária.

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